482Edith Stein; uma filósofa e teóloga alemã, que nos revela grande originalidade em seu pensamento.

Edith Stein foge dos padrões filosóficos de seu tempo ao colocar a vida do ser humano como algo inacabado imerso em uma busca. Sua originalidade consiste na visão que o ser humano, por ser finito, encontra sua completude em um ser maior, um ser eterno (Deus), contrapondo-se aos princípios judaicos, em que o ser finito jamais se encontra com o ser finito.

Para compreendermos seu pensamento e esta busca pelo sentido do ser, as paginas seguintes desta pesquisa, apresentam dois capítulos, sendo que no primeiro: Edith Stein: uma busca de sentido, abordando sua biografia, o sentimento de angústia e o sentido encontrado pela autora. No segundo capitulo; abordaremos: “Ser finito y ser eterno”: a atualidade de um pensamento, uma de suas grandes obras filosóficas, abordando o significado de ser finito y ser eterno e o sentido e fundamento do ser.

Edith Stein é considerada uma filósofa de grande estirpe, e que por sua vez, foge dos padrões emergentes de sua época.  No entanto, não é muito conhecida no âmbito Acadêmico. Para uma melhor compreensão de sua trajetória, consideremos o pressuposto filosófico de Marx, no qual o autor destaca o ser humano como sendo fruto de sua realidade social. Por isso, é de suma importância que se contextualize o período em que viveu Edith Stein, exatamente para entender a construção de seu pensamento e reflexão perante as exigências de seu tempo.

Para introduzir seu pensamento se requer realizar a análise de alguns aspectos históricos mais importantes que marcam o século em que viveu. Para tal apresentação, dividimos este capítulo em três partes, abordando sua biografia; o contexto histórico da época; e por fim, uma menção a angústia de sentido vivenciada por Edith Stein, sentimento este que, ao longo de toda a sua vida praticamente, sempre a projetou para uma constante busca de sentido existencial.

No ano de 1870, a Alemanha, após conseguir a sua unificação, introduziu a industrialização num processo extremamente rápido e comandado pelo Estado e se transforma em uma nação forte e bem estruturada, que no decorrer dos anos provocará grande preocupação para os demais Países da Europa, tais como: Holanda, Inglaterra, Polônia entre outros.

Neste contexto histórico-social Alemão, na cidade de Breslau (atual Polônia), nasce Edith Teresa Hedwig Stein: “Yo, Edith Stein, nascí el 12 de octubre de 1891 em Breslau. Fueron mis padres el ya difunto Siegfried Stein, comerciante, y su mujer Augusta (Courant de Soltera). Soy prusiana y judía.” (NEYER, 1987, p. 9).

Os pais de Stein (Siegfried Stein e Augusta) tiveram onzes filhos, mas somente sete sobreviveram. A família vivia de uma espiritualidade judaica e tiravam do comércio o seu sustento (madeireiras). Pouco tempo depois de seu nascimento, Edith perdeu o pai, e sua mãe ficou responsável pela empresa e pelo cuidado dos filhos.

Edith era considerada uma menina prodígio no jardim de infância, sendo o destaque na sala de aula. Embora esta experiência não a tenha agradado muito, com o passar dos anos, tal experiência “negativa” do colégio fora superada, o que trouxe um novo ânimo para que ela continuasse a estudar em 12 de outubro de 1897.

Por volta dos quatorze anos surgem algumas inquietudes e questões existenciais, fazendo com que Stein abandone os estudos. Sua irmã mais velha, que passava por problemas conjugais, convida a jovem Edith para morar com ela na cidade de Hamburg, lugar que, de certo modo, fez uma reviravolta em sua vida e em seus sonhos. Tornou-se ela uma pessoa mais madura e convicta de seus objetivos e metas.

A mudança de ares durou dois anos, depois, retornou para casa e voltou a estudar, agora, com aulas particulares. Em 1911, a Jovem Edith termina seu segundo grau no Colégio Liceu Vitória, após três anos de estudo.

A senhora Augusta, mãe da jovem Stein percebia que sua filha não tinha mais uma vivencia de fé; deixando de lado as orações e princípios da religião judaica, declarando-se atéia. Porém, ao mesmo tempo, Edith considerava-se uma jovem privilegiada, dona de uma consciência esclarecida, tanto que procurava participar assiduamente de movimentos estudantis, associações sociais e reuniões da sociedade.