Nos dias 24 e 25 de abril aconteceu a I Jornada Social do Instituto Santo Tomás de Aquino. O evento trouxe para o debate os 130 anos da Lei Áurea e suas consequências para a sociedade brasileira, marcadamente racista e normativa.

Como parte das atividades da Jornada, o Coletivo Impossível, grupo do curso de Teatro da UFMG, apresentou a peça “Os Negros”, que propõe uma reflexão do contexto social atual à luz de um tribunal no qual os réus negros são julgados por uma corte branca. O espetáculo que esbanjou uma fina ironia e crítica foi acompanhado por uma numerosa e calorosa platéia que ficou muito satisfeita com tudo o que viu no palco do ISTA. Quem esteve presente contribuiu com a doação de 1 kg de alimento não perecível que será destinada a entidades carentes.

No dia 25, as reflexões se seguiram por meio de apresentações culturais e uma Mesa Redonda que contou com a participação da Mestra em Psicologia Social, Suely Virgínia. Ela destacou que vivemos num contexto fortemente marcado pela inveja que impulsiona uma cultura de ódio, violência e morte do povo negro. Nessa perspectiva, o Doutor em Educação, Erisvaldo Pereira dos Santos explanou sobre como a educação corroborou a docilidade dos corpos e como a inveja quer matar até nossa esperança. Por sua vez, a ativista do movimento negro e quilombola e representante do Manzo Ngunzo Kaiango, Cássia Cristina da Silva, também conhecida por seu nome quilombola Makota Kidoiale, falou sobre como a escravidão insiste em nossa sociedade por meio do individualismo. Uma cultura de coletividade é resistência não violenta a um sistema escravagista que insiste em permanecer em nossa sociedade.