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O Instituto Santo Tomás de Aquino tem a alegria de oferecer mais uma edição da revista Horizonte Teológico, a de número 31, no ano em que a nossa Faculdade dos Religiosos de Filosofia e Teologia comemora seus trinta anos de atuação na formação acadêmica com ênfase no desenvolvimento da pessoa humana.

Nesse número, você, caro leitor(a), terá a oportunidade de apreciar o pensar bíblico-teológico a partir da temática da misericórdia, de modo específico no papado de Francisco, na análise da parábola do Bom Samaritano, mas também no trabalho desenvolvido pela Pastoral Carcerária. Você também poderá apreciar as reflexões agostinianas sobre o problema do mal.

O artigo inicial, do Prof. Dr. Frei Sinivaldo Silva Tavares, abre a revista propondo a temática da Igreja em saída a partir de uma análise de três mediações: gestos, metáforas e textos que compõem o papado de Francisco. Tavares ressalta como as metáforas de Francisco ganharam o mundo, tais como: “igreja em saída”; “igreja como hospital de campanha”; “igreja como mãe misericordiosa e não como alfândega; “prefiro uma igreja enlameada que doente dentro das sacristias”; “pastores e teólogos com cheiro de ovelha”; “o decálogo das doenças espirituais que acometem os curialistas”? O pensar metafórico de Francisco encontra fundamentos nas encíclicas por ele escritas e analisadas pelo articulista.

O nosso segundo artigo, do Prof. Dr. Frater Henrique Cristiano José de Matos, ressalta como a Bula do Papa Francisco Misericordiae Vultus já se encontra presente na sua Encíclica Laudato Sí e a ilumina por dentro. Matos destaca como a misericórdia refere-se ao amor compassivo para com todos os que sofrem ou estão em necessidade, por serem fracos, vulneráveis, excluídos ou marginalizados. Para tanto, o papa recorre ao exemplo do santo que lhe emprestou o nome: São Francisco de Assis. Partindo de experiências de agressões à natureza, ocorridas recentemente me Minas Gerais com a Mineradora MMX na região de Igarapé, MG, e a “tragédia de Mariana” de novembro de 2015, o autor evidencias a aplicabilidade das reflexões do Papa Francisco. Por fim, ele apresenta também a desafiante pastoral carcerária no complexo penitenciário de São Joaquim de Bicas, bem como a contribuição da Laudato Si para Doutrina Social da Igreja.

O artigo seguinte, de Leandro Sebastián Narduzzo e do seu professor orientador Dr. Pe. Paulo Sérgio Carrara, propõe a temática da ternura como base essencial para o exercício da misericórdia. A base bíblico-teológica usada é da parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37) e o tratado “Teologia da Ternura”, De Carlos Rocchetta.  A parábola do bom samaritano é tida como um ícone potente, capaz de exprimir a ternura no ato de misericórdia, é uma relação essencial com o próximo, que nos convida a sair de si, como nos revela o próprio exemplo de Jesus.

Na continuidade, você, leitor, descobrirá no relato do Prof. Dr. Amarildo J. de Melo  uma análise do sistema prisional e penitenciário, problemas e desafios: perda de identidade; relação entre o preso e a sua família; crime organizado no interior dos presídios, tortura, mentira, preconceito e a discriminação social do preso. O autor pergunta: Por que cresce a criminalidade no Brasil? Partindo do ver a realidade de sofrimento e exclusão social, o articulista reflete eticamente sobre o tema, tendo por base a ética da alteridade em Emanuel Lèvinas, os princípios do dom gratuito e da hospitalidade em Jacques Derridá e a ética do encontro do Papa Francisco, que propõe a misericórdia numa Igreja em saída.

O último artigo, do Prof. Dr. José Roberto Abreu de Mattos, intitulado: “Reflexões agostinianas sobre a problemática do mal”, uma temática diferente do tema proposto por esse número da revista, mas não menos importante para compreender as questões da responsabilidade humana sobre o mal e o pecado, e o livre arbítrio. O autor demonstra como o grande doutor da Igreja, Santo Agostinho, refuta as concepções equivocadas da doutrina maniqueia, que negavam a responsabilidade do homem sobre o mal e o pecado, negando, por conseguinte, o seu livre arbítrio.

Encerrando a revista, nossa Revista oferece duas recensões. A primeira do Prof. Dr. Cleto Caliman. Ele faz a recensão da obra de Wanderley Pereira da Rosa e O. Ribeiro, intitulada Religião e Sociedade pós-secular. Composto de vários autores, o livro recolhe várias abordagens, as quais propiciam ao leitor a um aprofundamento do lugar da religião na era pós-secular. A segunda, do prof. Reginaldo J. Horta que apresenta a obra de Maria Esther Maciel sobre Literatura e animalidade. Trabalha a relação entre o ser humano e os animais na literatura e na filosofia.

Desejamos a todos(as) uma profunda e profícua leitura dessas páginas de misericórdia, ternura no processo de uma Igreja em saída.

 

Frei Jacir de Freitas Faria, OFM

               Reitor