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O Instituto Santo Tomás de Aquino tem a alegria de oferecer mais uma edição da revista Horizonte Teológico que trata da temática do de(s)colonialismo. Os artigos desse número 33 são resultados de conferências proferidas no I Simpósio de Filosofia, Teologia e Ciências da Religião, promovido pelo ISTA e PUC Minas.

A corrente de pensamento de(s)colonial, que ganhou relevância nas últimas décadas, tem desafiado a Filosofia e a Teologia, sobretudo na América Latina, no que tange ao pensamento libertário no fazer Teologia (Teologia da Libertação) e Filosofia (Filosofia da Libertação).

Na América Latina, não seria a Teologia da Libertação uma tentativa primeva de de(s)colonizar o pensamento do discurso teológico nas suas diversas ações libertárias em prol da justiça social, desvencilhando-se de modelos colonizadores? Pensadores da temática de(s)colonial na América Latina, nos âmbitos da Sociologia, Semiologia, Filosofia e Teologia, tais como Anibal Quijano, Edgardo Lander, Walter Mignolo, Enrique Dussel e Leonardo Boff, demonstram como as ciências sociais, humanas e teológicas se unem para analisar o passado longínquo e recente e propor um pensamento geopolítico do conhecimento sociológico, filosófico e teológico, bem como suas incidências na América Latina, sem a cumplicidade do poder e do saber colonial, fomentando uma ecoteologia que salva o planeta, uma leitura bíblica a partir da alteridade e uma Filosofia das alteridades, etc.

Neste número, você, caro(a) leitor(a), terá a oportunidade de apreciar o pensamento de(s)colonial e suas incidências na América Latina.

O artigo inicial, do Prof. Dr. Salustiano Álvarez Gómes, versa sobre o pensamento de(s)colonial na perspectiva de Enrique Dussel, suas propostas de metodologias históricas, teológicas e filosóficas, as quais possibilitam descontruir as metodologias de características eurocêntricas, totalitárias e excludentes. Salustiano demonstra com Dussel valoriza as culturas latino-americanas.

Nosso segundo artigo, do Prof. Dr. José Luiz Quadros de Magalhães, demonstra como o direito à diversidade é um dos fundamentos do novo constitucionalismo democrático. O autor analisa como o novo constitucionalismo, expresso nas Constituições democráticas do Equador (2008) e Bolívia (2009), pode representar uma ruptura com a modernidade colonial europeia.

O artigo seguinte, do Dr. Gilvander Luís Moreira, foca a questão da opção pelos pobres na Igreja pós-conciliar, perguntando pela sua continuidade na Igreja a partir da Teologia da Libertação, de uma sociologia libertadora e epistemologias de(s)coloniais. O autor afirma que a opção pelos pobres não é algo facultativo na missão da Igreja. “O Papa Francisco está apontando o rumo que inclui resgatar os princípios originários e originantes do Concílio Vaticano II, que devem ser postos em prática em uma Igreja conciliar em época pós-conciliar. Isso supõe, necessariamente, uma ruptura com as epistemologias coloniais e hegemônicas coloniais que se dizem únicas, verdadeiras, civilizatórias e universais’, conclui Gilvander Moreira.

O último texto da nossa revista é uma comunicação feita por Adriano Cézar de Oliveira a qual versa sobre o conceito de mistanásia à luz do conto “Mineirinho”, de Clarice Lispector.

Desejamos a todos(as) uma boa leitura.

Frei Jacir de Freitas Faria, OFM

Reitor