Editorial

BUSCANDO SER CRISTÃO NO CONTEXTO ATUAL

No seu Ano Jubilar, o ISTA tem a alegria de poder publicar mais um número da Revista Horizonte Teológico com um conteúdo que remete à sua caminhada de reflexão filosófica e teológica no mundo acadêmico. Em 19 de outubro deste ano, celebraremos os 25 anos de contribuição com o processo formativo no âmbito da vida consagrada.

Inúmeros alunos e alunas formados no ISTA estão espalhados pelo Brasil e exterior, como discípulos e discípulas, missionários e missionárias da Boa Nova, sobretudo em áreas mais carentes, onde a vida consagrada se apresenta, muitas vezes, como a única esperança dos deserdados da sociedade neoliberal excludente. A aventura de ser cristão no contexto atual, testemunhando o amor de predileção de Jesus Cristo aos mais pobres, torna a existência desafiadora e carregada do mais profundo sentido. E é o que nossos ex-alunos e ex-alunas, no seio da Igreja ou da sociedade, vivenciam e experienciam no seu dia a dia.

Nesse contexto, apresentamos, nesta edição, os desafios à espiritualidade cristã hoje por nosso aluno de pós-graduação Werbson Beltrame Pereira. O mundo atual marcado pela cultura pós-moderna, multiforme e fragmentada, de fato coloca o cristão frente ao desafio de dar conta de sua fé de maneira convincente aos outros e a si mesmo.

Tal espiritualidade está profundamente relacionada com a questão sobre a autocompreensão cristã, que Elton Vitoriano Ribeiro, professor da Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte, trata em seu artigo, destacando duas vertentes que se imbricam e se remetem uma à outra: a antropologia e a hermenêutica.

Uma das formas concretas de fazer emergir a autocompreensão cristã e a espiritualidade que a acompanha está na temática da hermenêutica militante, que sempre nos coloca frente a frente com os apelos éticos e cristãos do engajamento na causa dos pobres. Esse é o escopo da contribuição de Frei Gilvander Moreira, professor do ISTA, que, partindo da Bíblia, discorre sobre a necessária profecia na vivência da fé cristã.

Já a ótica analítica do poder, tema que persegue o pensamento de Foucault, que supera o mero conceito de luta de classes marxiano e abre pistas para se pensar o poder e as relações de classe como um feixe de multiplicidade de formas e focos de relação, se nos apresenta como outro grande desafio para a vivência do cristianismo como a expressão mais contundente de uma fé alicerçada na linha do poder-serviço. Essa é a perspectiva do texto de Guaracy Araújo, professor de filosofia da PUC Minas.

Concluindo este número da Revista, temos uma contribuição bastante pertinente para a vivência da fé cristã: o luto como efeito restaurador da fé. Trabalhar as perdas que todo ser humano sofre ao longo de sua existência se torna um imperativo para quem acredita que a vida se prolonga para depois da morte. Carlos Ribeiro Natali, aluno de pós-graduação do ISTA, e Paulo Sérgio Carrara, professor do ISTA, se unem para nos ajudar nessa tarefa.

Ainda temos duas resenhas, contribuindo com o itinerário formativo de nossos alunos, abordando temas atuais e pertinentes para o exercício da vida consagrada. A primeira é sobre o livro “O Sofrimento Psíquico dos Presbíteros: Dor Institucional”, de William Cesar Castilho Pereira. Depois que a vida dos presbíteros ficou mais exposta às contingências existenciais, com a despedida das armaduras que os protegiam – a vestimenta, o distanciamento nas relações – novas oportunidades de realização humana se lhes abriram, porém, também novas dimensões de sofrimento e de angústia. O padre standard que emergiu da concepção do seminário tridentino tinha seu itinerário definido desde o princípio do exercício do seu ministério. As múltiplas formas de ser padre criam uma nova situação: rica pela quantidade de opções; angustiante pelo mesmo motivo. É o professor Carrara que apresenta o livro de William Castilho, em que emerge essa problemática dos padres, à luz de pesquisa e trabalho de campo com os mesmos.

A segunda trata do livro “Ética da Esperança”, de Jurgen Moltmann. É possível uma proposta de ética cristã num mundo que se vê ameaçado de tantas maneiras, onde o tecido das relações humanas se apresenta muito esgarçado? Há princípios gerais que podem ser relidos na ótica cristã e servir como base para uma sociedade eticamente fundamentada também para os não cristãos? O professor de moral do ISTA, Amarildo, é quem nos dá a resenha dessa obra do grande teólogo contemporâneo.

Tenho certeza de que a leitura deste número da Horizonte Teológico muito contribuirá para aguçar os espíritos de todos os que se dedicam à reflexão teológica e à práxis cristã.

 

Pe. Manoel Godoy

Diretor Executivo do ISTA

Revista Horizonte Teológico – 21 (1,4 MB)

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