A UMA SÓ VOZ

Este ano dedicado à vida consagrada nos remete aos diversos desafios que esse segmento eclesial e social enfrenta para dar continuidade à missão de ser sinal eficaz do amor misericordioso de Deus na vida dos homens e mulheres hodiernos, sobretudo dos pobres e descartáveis. Da liturgia ao comportamento humano frente à defesa da dignidade de todos, passando pela difícil questão da justiça e bem comum e do protagonismo das juventudes, este número da Revista Horizonte Teológico se apresenta como fonte de pistas concretas de ação.

Também vivemos os cinquenta anos de encerramento daquele que se constitui o maior evento eclesial do século XX, o Concílio Vaticano II. Por meio de algumas reflexões desta edição, temos condições de nos confrontar com a atualidade das perspectivas conciliares, que continuam a nos desafiar no nosso agir cristão, em tempos de modernidade líquida.

Desde a publicação e recepção da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, em 1963, a liturgia na Igreja Católica vem vivenciando diversos ajustes e hoje apresenta uma variedade imensa na sua inculturação. Se por um lado tal processo pode ser rico e facilitar a aproximação do povo ao mistério da fé, por outro, verdadeiras riquezas litúrgicas são perdidas por falta de uma formação adequada daqueles que são seus responsáveis diretos. A reflexão de Frei Joaquim Fonseca nos leva a questionamentos que vão além do aspecto levantado por ele. Por exemplo: como fazer de nossas celebrações verdadeiros momentos de vivência da fé cristã sem cairmos nos extremos das missas-shows ou do rubricismo exacerbado?

Neste Ano B da liturgia, a Revista Horizonte Teológico publica a colaboração de um dos ex-alunos do ISTA, Juan Pablo, sob a orientação da professora Solange do Carmo, sobre o evangelho de Marcos. Nesta edição, apresentamos o segundo artigo de uma série de três, que trata da questão messiânica em Marcos. Em tempos de fundamentalismos bíblicos, esse artigo ganha uma relevância imensa, pois nos ajuda a enfrentar a onda pré-hermenêutica que assola o mundo religioso de hoje.

Como ser e agir cristãmente numa sociedade que se apresenta, em muitos aspectos, como pós-cristã? Será que a Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II ainda pode ser referência para tal missão? Para Oziel Rocha, também aluno egresso da Instituição sim, sobretudo, na defesa da dignidade humana.

Os desafios e as oportunidades inerentes ao processo formativo se constituem no tema da reflexão de Alfonso Jose Berger, que tomou a experiência vivida pela Congregação do Verbo Divino como pano de fundo. Sobretudo no contexto da pós-modernidade, a formação se vê desafiada de maneira muito profunda, frente aos apelos da subjetividade dos nossos contemporâneos.

Elton Vitoriano nos oferece pistas de reflexão muito atuais sobre a questão da justiça, tendo como referência as obras de Michael J. Sandel, que é filósofo, escritor, professor universitário, ensaísta, conferencista e palestrante estadunidense. Sandel ficou conhecido internacionalmente pelos seus livros Justiça: o que é fazer a coisa certa? (2010) e Liberalismo e os limites da Justiça (1982).

Sebastião Correa Neto revela ter consciência de toda a problemática tratada neste número da Horizonte Teológico e a relê à luz das juventudes. Traçar projetos evangelizadores com as juventudes, sob a perspectiva do acompanhamento e cuidado, é missão que a Igreja não pode retardar nem mais um minuto. É tarefa urgente, urgentíssima. As juventudes carregam um potencial evangelizador imenso, porém precisam ser provocadas, desafiadas, para que esse potencial se transforme em projetos concretos, em ações eficazes no seio da Igreja e da sociedade de hoje.

Por fim, temos duas resenhas e uma comunicação, atualizando-nos sobre temas litúrgicos e da cultura Talibã, que tanto tem despertado interesse no âmbito do comportamento humano influenciado por perspectivas religiosas.

Pe. Manoel Godoy

Diretor Executivo do ISTA

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