A TRANSVERSALIDADE DA ÉTICA

 

Olhando nossa realidade, percebemos a necessidade de fazer da ética um tema transversal, que abranja as mais diferentes dimensões da vida humana e suas relações. O Papa Francisco na sua Encíclica sobre o cuidado da casa Comum apresenta o desafio de uma ecologia integral que abarca as relações das pessoas com elas mesmas, com Deus, com os outros e com a natureza. Tudo está interligado e somente levando isso em conta podemos alicerçar uma sociedade sobre a ética. Porém, nos alerta o Papa Francisco: “A dificuldade em levar a sério esse desafio tem a ver com uma deterioração ética e cultural, que acompanha a deterioração ecológica” (Laudato Sí, 162).

Na verdade, faz-se urgente uma intervenção na própria cultura para que a ética não seja uma estranha no ninho, mas expressão do cotidiano de cada um.

Neste número da Revista temos duas abordagens que tratam da ética na perspectiva de dois grandes nomes nessa área: Emmanuel Lévinas e Hannah Arendt. O primeiro é evocado por Oziel da Rocha para fundamentar as bases do diálogo para uma educação humanizadora; a segunda, apresentada por Lucilei Sebastião da Silva, nos ajuda a perceber os caminhos para a reabilitação da política na atualidade.

Política e profecia vistas na atuação do profeta Jeremias é uma abordagem que visa a superação de um preconceito bastante arraigado na mente de muitos que sustentam não haver qualquer relação entre religião e ética, religião e política. Antônio Ronaldo Nogueira afirma que a relação entre ética e religião, profecia e política, no mundo bíblico, tem muito a nos ensinar. E, concluindo a série de três artigos para a Horizonte Teológico, Juan Pablo Garcia Martinez e Solange Maria do Carmo nos colocam nas sendas do Mestre Jesus como discípulos que n’Ele confiam a ponto de se abandonar em suas mãos. Assumir a lógica de Jesus, na perspectiva de Marcos, é vencer as cegueiras que nos impedem de compreender o mistério da cruz, tirando do nosso horizonte a possibilidade de uma profunda experiência pascal. Desta forma, temos caminhos concretos para uma verdadeira vivência na ética cristã: a renúncia de si mesmo, a atitude despojada perante as honras do mundo e o serviço ablativo.

Continuando a reflexão sobre o processo de formação que se dá na Congregação do Verbo Divino, Alfonso José Berger e Carlos Enrique Cardoso apresentam as pistas que vão encontrando frente aos desafios que a pós-modernidade impõe aos formandos e formadores. Nesta perspectiva, no tópico sobre os princípios orientadores da formação verbita, os autores apresentam 10 indicadores de um bom processo formativo que podem jogar luz nos processos de outros Institutos, Ordens e Congregações.

Por fim, temos a resenha da obra de Romildo Henriques Pinas, A Salvação para todos. A Teologia de Wolfhart Pannemberg, feita pelo teólogo Paulo Sérgio Carrara. Passando pelos capítulos, Carrara nos dá uma visão não só panorâmica da obra, mas também crítica. Explica o que entendeu do livro e se propõe a um diálogo com o autor sobre alguns pontos que podem ter outras interpretações, tais como, a doutrina sobre o pecado original, o emprego do vocábulo alma e outros.

Desejamos a todos uma gostosa leitura da Revista Horizonte Teológico e, desta forma, os leitores entram em sintonia com alguns dos temas que perpassam a reflexão teológica no Instituto Santo Tomás de Aquino.

Manoel José de Godoy

 

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