Editorial

ESPAÇO ABERTO AO LIVRE PENSAR

A difícil missão de manter uma instituição de ensino superior como espaço de liberdade para o aprendizado consciente, responsável e engajado nas lutas pela transformação das relações humanas, visando a uma sociedade mais justa e fraterna, à luz da Palavra de Deus, faz do ISTA um lugar necessário e privilegiado no contexto eclesial atual.

Em outras palavras, lemos no seu Planejamento Estratégico 2011-2015, no tópico sobre sua missão: “Contribuir para a formação integral de religiosos(as) e leigos(as), por meio de um processo pedagógico criativo, em diálogo com a pastoral e o mundo contemporâneo, em vista de uma sociedade inclusiva e sustentável, à luz da fé cristã”.

A Revista Horizonte Teológico é um instrumento para o cumprimento dessa missão. Nela encontramos artigos de professores, alunos e pesquisadores, tanto do campo filosófico quanto do teológico, sempre com o intuito de provocar o pensamento, a pesquisa e o aprofundamento sobre temas da atualidade, objetivando uma inserção responsável nos processos de humanização em curso na sociedade e na Igreja.

No mundo midiático, em que as relações virtuais se impõem com uma força gigantesca, a Revista Horizonte Teológico é logo disponibilizada no site do ISTA, favorecendo o seu livre acesso a todos os internautas.

Um ideal a ser buscado ainda por todos os responsáveis pela Revista é provocar um feedback de os seus leitores, visando melhorar o relacionamento com aqueles que a leem na versão impressa ou na versão virtual.

Passemos, agora, para a apresentação dos artigos deste número 25, que inaugura o 13º ano de sua edição.

O leitor encontrará, na segunda parte do texto de reflexão do Pe. Ildomar Danelon sobre o processo formativo, uma lista de desafios que a hipermodernidade se lhe apresenta de maneira radical, onde é colocado “em xeque o relacionamento entre a presença de Deus e a história do ser humano”. Ildomar percorre os documentos eclesiásticos que tratam do processo formativo para o ministério presbiteral e se detém a uma análise das atuais Diretrizes da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil, documento 93 da CNBB.

Um passeio pela literatura de cordel foi a façanha de Ivanaldo Santos, recuperando o que há de genuíno na tratativa das canções populares construídas em versos, característica forte da região nordestina. Apesar de alertar que “a literatura de cordel não segue uma religião ou uma doutrina política e filosófica”, Ivanaldo se concentra nos versos dessa fé de expressão popular que tratam de católicos de proa no cordel, tais como Padre Cícero e Frei Damião.

Num tempo tão carente de utopias sociais, é bom se encontrar com um texto que nos propõe uma sociedade do bem-viver em contraposição à do bem-estar, regado pelo consumo exacerbado. Alexsandro Ribeiro Nunes, baseado em documentos do Magistério católico, afirma que a missão da Igreja é promover a sociedade do bem-viver, que em terras andinas é conhecida como Sumak Kawsai. Trata-se de uma expressão originária da língua quíchua, idioma tradicional dos Andes. “Sumak” significa plenitude e “Kawsay”, viver, e a expressão é usada como referência ao modelo de desenvolvimento que implica um conjunto organizado, sustentável e dinâmico dos sistemas econômicos, políticos, socioculturais e ambientais, que garantem a realização do bom viver. Esse modelo rompe com os postulados do desenvolvimento capitalista.

A questão da liberdade é sempre um tema fascinante, pois, ao mesmo tempo em que o ser humano a busca, dela tem medo. Ronilson de Sousa Lopes parte de Sartre, com seu axioma de que a existência precede a essência, para afirmar que o homem é um ser capaz de elaborar projetos, rumo ao que ele ainda não é. Dessa forma, é um ser livre, condenado à liberdade, e não predeterminado por qualquer realidade que o transcenda. Não possui nenhuma essência determinada, mas é ele próprio um ser em projeto. Tirando consequências dessa contribuição de Sartre, Ronilson contrapõe a psicanálise existencial à empírica, destacando o valor da primeira como mais apta a corroborar com quem quer se aventurar a ser e a viver livre.

Por fim, os leitores poderão ter um primeiro contato com obras de relevância recém-lançadas: uma sobre a vida consagrada, outra sobre a questão religiosa no censo de 2010 e outra acerca das debatidas teorias sobre o Jesus histórico, do saudoso Pe. Libanio. Uma boa recensão sempre nos abre o apetite para a leitura de uma obra. A finalidade da Revista Horizonte Teológico é bem atingida quando seus leitores ficam provocados a novos aprofundamentos sobre os temas nela tratados. Boa leitura a todos e todas!

Pe. Manoel Godoy
Diretor Executivo do ISTA

 

Revista Horizonte Teológico nº 25 (1,4 MB)

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