Do diálogo à paz foi o tema da XVI Jornada Literária do ISTA

Realizou-se no dia 11 de abril de 2019, no auditório do ISTA, a XVI Jornada Literária com o tema: “Do diálogo à paz: por um mundo em harmonia”. A jornada foi aberta com as palavras de acolhimento do Reitor Frei Jacir de Freitas Faria. Ele resgatou a história das jornadas literárias anteriores nos seus dezesseis anos de realização, sempre promovendo a reflexão filosófica e teológica em conexão com a literatura.

A primeira parte da jornada constou de um sarau literário e cultural, no qual foi feita a memória de mortos que tiveram suas vidas ceifadas pela violência ontem e hoje. Na sequência, foram feitas leituras de textos, intercaladas com músicas, primeiramente a narrativa da Legenda Maior sobre o encontro de Francisco de Assis com o sultão Saladin, na Síria, a seguir os discursos do papa Francisco sobre o tema, o Sarau terminou com as inspiradoras palavras dos fundadores(as) de ordens e congregações religiosas presentes nos ISTA.

Os docentes Marcos, Leonardo, Juliana, Mateus, Leandro, Nancy, Mariana e Samuel deram voz aos fundadores(as), os quais nos deixaram, dentre outras pérolas literárias, o seguinte: “A verdadeira paz é ramos do amor de Deus. Quem sabe sofrer em silêncio e em paz é quase perfeito.” (São Paulo da Cruz – fundador dos Passionistas); “Se houver observância e santa paz, Deus abençoará e dará sua graça para tudo.” (Santa Cândida Maria de Jesus – fundadora das Filhas de Jesus); “A paz do coração vale mais que os tesouros do mundo.” (Giacomo Cusmano – fundador dos Servos dos pobres); “Sem Deus não se pode ter a verdadeira paz.” (Santo Afonso Maria de Liguori – fundador dos Redentorista); “A oração é para nós um momento privilegiado de encontro e diálogo com o Senhor.” (Santa Joaquina de Vedruna – fundadora da Irmãs Carmelitas de Vedruna); “Sem querer enfrentar e superar as dificuldades e obstáculos não faz nada de bom!” (Pe. Antônio Marcos Cavanis – fundador dos Padres Cavanis); “A presença divina é suficiente para estabelecer a ordem numa alma e trazer-lhe a paz. A paz e o contentamento permanecerão entre vocês enquanto se mutuamente” (São Marcelino Champagnat – fundador do Maristas); “Não deixem de rezar todos os dias pela paz e unidade!” (São José de Calazans – fundador dos Padres Escolápios). Por fim, foi lembrado o profeta e pastor Dom Pedro Casaldáliga que, em forma de poesia, reza: “Dá-nos Senhor a paz inquieta que não nos deixa em paz. Dá-nos a paz inquieta que denuncia a paz de cemitério”.

Para encerrar o momento do sarau, o Prof. Paulo Sérgio e docentes do curso de Filosofia apresentaram o projeto “Áudio Filosofia” que está sendo realizado em parceria com a biblioteca pública Luiz de Bessa para gravação de textos filosóficos para cegos. A profa. Aurea Marin Burocchi lançou o seu livro: Ética e Estética na teologia trinitária de Bruno Forte (2018), bem como mencionou as publicações de outros docentes ao longo do ano de 2018. Ela falou também do próximo número da revista do ISTA, Horizonte TEOLÓGICO, que será on line e tem uma seção reservada para publicação dos trabalhos dos discentes. O discente Eustáquio encenou, de modo envolvente, um monólogo que tratou da temática do diálogo e da paz.

A Profa. Dra. Mayara Carvalho ministrou conferência sobre a temática da jornada: “Do diálogo à paz, para um mundo em harmonia”. Ela iniciou sua exposição contando a sua experiência de vida no Oriente Médio na perspectiva da paz e do diálogo.

Para o estabelecimento do diálogo para a paz, Mayara apontou vários caminhos, dentre os quais destacamos: O ser humano está sempre sonhando, sonhamos acordados a partir de uma moldura. O desafio é tirar a moldura que nos envolve e nos faz pessoas violentas. Existem diversas maneiras de promover a paz e de ser violento. Nossos sistemas de crença julgam o mundo pelos nossos próprios valores. O diálogo construtor de paz é o do encontro, o do observar a realidade que nos possibilita distinguir o que é urgente do que é importante. A maneira correta do fazer encontro é a partir de mim para, depois, conhecer o outro. Somos habituados a agir com o outro como tratamos os ratos de laboratório. Dialogar é o encontro significativo se dá quando, a partir de nossa luz, abrimo-nos para dialogar com a luz do outro. Para tanto, é imprescindível sermos impecáveis com a palavra, agir de modo respeitoso. A conferencista terminou a sua reflexão convocando os presentes a entenderem que, quando o conflito acontece, é pela luz que o diálogo se estabelece.